quarta-feira, 19 de março de 2014

Para minha sempre confidente: A Lua

Quantos já te olharam,
Fazendo-a cúmplice do seu amor?
Lua, mãe serena das estrelas que sofrem!
Lua, que muitos sonhos já embalou!

Se um astro perturba um coração febril,
Em teu brilho este acharás abrigo.
Os que não dormem desabafam a ti,
Os que sonham são os que mais falam contigo.

No céu és tudo que se pode criar,
Foste campo de guerra para santos e demônios.
Demonstrando sua acolhedora imensidão,
Abrigando diversas faces dos mesmos sonhos.

És uma para o poeta, outra para o cientista;
Ora musa, outrora refletor.
Mas uma coisa é certa, ó Lua minha;
Nunca riste dos sonhos que tua habitante já te confiou.

Lenice Lima - 28.01.2010

Daquela que sempre procurava o lugar mais escuro do quintal para, deitada num banco, embriagar-te de vinho e devaneios...

Estado de Vegetal

Chego.
Na verdade saio,
Sufoco!
Em minha alma desmaio.
Muito ar, pouco oxigênio
Bomba de hidrogênio.
Mentalizo: estou bem, feliz...
Mais eternos dez minutos
Calma, relaxa... Relaxa!
Falta alma, sobra vida;
Enfim, corredor
Frio.
Desperto,
Encolho
Tô sentindo
Tudo azul
Tua imagem dá medo
Luz, paz.
Traz mais
Freud, Gandhi, Baudelaire
Reflexão
Descontração
Chão imaterial em construção.
O sonho é a despedida,
O vegetativo e a vida!

Lenice Lima - 2009.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Da Água para Lama


Quando passeia com um menino,
E, distraída, pergunta seu nome;
Atenciosa, segura a mão do menino;
Que transforma-se em Homem!

Quando passeia com o Homem,
Numa noite de eclipse,
Carinhosa, abraça o Homem;
Que transforma-se em Príncipe!

Quando passeia com o Príncipe,
À beira de um lago,
Apaixonada, beija seu Príncipe;
Que transforma-se em Sapo!


Lenice Lima


Meu primeiro poema, quando eu tinha 14 anos.

O Cadáver de uma Esperança

Andando numa cidade fantasma,
Tropeço no meio da escuridão.
Era o medo encobrindo o sol do meio-dia,
E foi a minha esperança que estava no chão.

Eu ri da cena que o destino me preparou.
Eu ri? Mentira! Era ela que sorria.
Corri sem saber o que fazer,
Fugi do meu medo ou da sua ironia?

Mas não fora esta esperança, Deus meu,
Que aos Teus pés me fizeste prostrar?
Trocar minha quietude por nossas causas,
E a qualquer lei bravamente desafiar?

Voltando amedrontada para casa,
Entorpecida pelo odor da solidão.
Seguindo para o velório do meu mundo,
Friamente, ela me esperava no portão.

Atirei-me em sua direção com toda força,
Tentando eliminá-la ou talvez me matar,
O teu cadáver penetrou o meu corpo, decidido;
E no meu peito vive a se enterrar.

Lenice Lima - 2009.


À Terra Natal


Viver nesta cidade é difícil,
Rouba-nos o sonho, a ética, a paz.
Adormece em cada peito um manso grito,
O incentivo? Só alude que ninguém é capaz!

E se alguém resolve a cabeça levantar,
Só enxerga que muito tem a fazer.
Mas os outros se limitam a criticar,
E este grito volta logo a adormecer.

Ideais... Estes não faltam a jovens vigorosos!
Quando perceberão que é sua vez,
De pedir a espada, sair pra luta,
E não gastar forças só com estupidez?

Quando falta coragem para realizar um ideal,
Os sonhos sobrevivem sem brandura.
Só atinge realmente um objetivo,
Quem além de idealismo tem bravura.

Lenice Lima



Poema composto em 2008, cuja finalidade era incitar a militância da juventude de São Bento do Inhatá, distrito de Amélia Rodrigues/BA.